Covid lidera concessões do auxílio-doença no INSS por afastamento do trabalho


Desde o começo da pandemia, São Paulo é estado com mais trabalhadores afastados, seguido do Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Nos primeiros meses de 2021, a Covid se tornou a principal causa dos afastamentos do trabalho pelo INSS no Brasil.

Foram quase três meses sem conseguir trabalhar. “Não tinha força, eu perdi o caminhar, eu perdi tudo, paladar, o cheiro, tudo, tudo eu perdi”, diz o contador Antônio Pio Neto.

Antônio teve que pedir o benefício por incapacidade temporária. “Eu deixei de, de receber o meu pró-labore e comecei a receber pelo INSS”, diz.

Ele está entre milhares de brasileiros afastados do trabalho por causa da Covid.

Em todo o ano passado, a doença foi a terceira maior causa de concessões do antigo auxílio-doença no país. Foram mais de 37 mil. Só no primeiro trimestre deste ano, o número de benefícios já passou de 13 mil, o que tornou a Covid a principal causa dos afastamentos acima de 15 dias.

Desde o começo da pandemia, São Paulo é o estado com mais trabalhadores nessa situação. Depois vem o Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Os afastamentos por doença tiram do setor produtivo a força de trabalho. São pessoas que têm o direito por lei de receber o auxílio para que se cuidem. Só que os especialistas dizem que esse afastamento pode não ser único e a retomada nem sempre é imediata.

“Muitos daqueles que se curam, eles continuam com sequelas, continuam com efeitos secundários que prejudicam muito a vida de cada um, a saúde de cada um e o próprio trabalho. Então esta questão das sequelas preocupa muito, porque elas podem redundar em novos afastamentos”, analisa José Pastore, professor de relações do trabalho da USP.

Os trabalhadores essenciais são os mais afetados, analisa o professor de economia do Insper, Otto Nogami. Ele diz que é cada vez mais difícil substituir quem adoeceu.

“Nós temos já uma falta de mão de obra qualificada. Principalmente aquela mão de obra que consegue lidar com a tecnologia. Num caso extremo, que essa pandemia atinja exatamente um grupo de mão de obra qualificada maior, isso vai afetar os processos de produção, sem dúvida alguma”, diz Otto Nogami, professor de economia do Insper.

O Antônio já voltou ao trabalho e comemora. Mas ainda está longe de ser como antes. “Ainda tenho falta de ar e eu tô com um problema muito sério, que é esquecimento e eu, eu sou contador, né, a gente, tudo tem que estar na cabeça. Mas, graças a Deus, eu melhorei. Hashtag eu venci o Covid”, finaliza.


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